Distorção da autoimagem a busca pelo corpo perfeito

Rosa Verão - Coleção 2018 / 2019

Qual é a relação que você tem com seu corpo? Sua autoimagem? Você se sente incomodada ao ir à praia ou a piscina e ter que encarar os amigos em um biquíni? Aliás, você usaria um biquíni em público?

Com a recente onda fitness, com mulheres e homens com corpos esculpidos pela academia, é comum ver muitas pessoas lutando contra a balança em busca de um corpo perfeito para se encaixar nos padrões.

Mas afinal, o que é um corpo perfeito? A maioria das pessoas poderia responder que é um corpo sarado e citar duas ou três celebridades que possuem essa “perfeição” tão desejada.

Não é ruim que você se espelhe em alguém como meta de uma vida mais saudável. Porém, quando a autoimagem começa a ficar deformada e, o indivíduo não consegue mais diferenciar o que está vendo do que está pensando… essa é a hora de se preocupar.

Essa busca desenfreada por um suposto “corpo perfeito” pode ser um sintoma da síndrome da distorção da autoimagem. Esta doença (sim, é uma doença), também conhecida como transtorno dismórfico corporal ou dismorfofobia, é quando o indivíduo tem uma visão irrealista do próprio corpo.

Em outras palavras, quem é extremamente magro, mesmo subindo na balança e vendo pouco peso, ao encarar um espelho não consegue se ver dessa forma. A pessoa literalmente se enxerga com sobrepeso, barriguda, feia, etc.

Se estima que 1,5% da população mundial sofra com a síndrome de distorção da autoimagem, afetando mais as mulheres do que os homens. Sendo que, essa estatística pode ser subestimada, em vista que algumas pessoas nunca chegam a procurar ajuda.

Um dos pontos mais preocupantes é que, normalmente, esse transtorno é associado com outros males, tais como, tristeza profunda, depressão, ansiedade, anorexia e bulimia. Quer saber mais sobre a síndrome da distorção da autoimagem? Leia o artigo!

 A autoimagem corporal

autoimagemA autoimagem corporal é a percepção que um indivíduo tem sobre o próprio corpo e todos os pensamentos e sentimentos (positivos e negativos) que isso desencadeia.

Em outras palavras, é aquilo que você vê quando se olha no espelho somado a tudo aquilo que se passa na sua cabeça. Não adianta negar, todos nós fazemos uma autocrítica ao nos olharmos no espelho.

A autoimagem também é construída com aquilo que você imagina que os demais pensam sobre você. E acredite, você pode ser muito mais cruel do que qualquer um.

 

A adolescência e a construção da autoimagem

Nosso conceito sobre o próprio corpo começa a ser formado na infância, porém é na adolescência isso se torna ainda mais evidente e importante.

É nesse período da vida que sofremos as maiores mudanças no corpo, e é quando surgem inúmeras dúvidas. Sou bonito? Sou feio? Sou popular? Devo emagrecer? Devo ser mais musculoso? E, a principal delas: Será que vão gostar de mim? Me aceitar?

A busca pela aceitação dentro de um grupo faz com que a maior incidência da síndrome da distorção da autoimagem ocorra justamente na adolescência.

Isso acontece porque nessa etapa do desenvolvimento ainda somos muito suscetíveis aos comentários dos amigos, colegas de escola, familiares, mídias sociais e digitais.

Não bastasse isso, nós passamos por uma fase de “luto” do corpo infantil. As meninas têm que aceitar a chegada da menstruação, o crescimento dos seios, todos os pelos aparecendo pelo corpo.

Os meninos, por outro lado, têm que lidar com as mudanças da voz, a enorme quantidade de hormônios circulantes, ereções em horas imprórprias, barba, pelos, etc. E tudo isso sem ser excluído socialmente pelos colegas de escola.

São muitas as angustias da adolescência, se você já passou por essa fase sabe bem disso. Você não é mais uma criança, mas também não é um adulto. Tem horas que não sabemos nem mesmo como nos portar.

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É por tudo isso uma base familiar forte e um lar onde todos demonstram respeitam e aceitação é essencial. Crianças e adolescentes que tem um bom relacionamento com os pais e com a família tornam-se seres humanos mais fortes e preparados emocionalmente, lidando muito melhor com as variações na autoimagem.

 

A síndrome da distorção da autoimagem

A síndrome da distorção da autoimagem possui três aspectos principais:

  1. Cognitivo: a busca pelo corpo perfeito.
  2. Comportamental: evitar situações de exposição do corpo ou da parte do corpo que é considerada “defeituosa”.
  3. Perceptiva: percepção distorcida do próprio corpo.

E não existem só casos em que a pessoa acredita que precisa emagrecer (a famosa ilusão que está acima do peso). Há casos em que a pessoa está acima do peso e se enxerga mais magra, há os que buscam a perfeição na forma de músculos, as que querem aumentar as mamas, ou afinar o rosto, arrumar o nariz, ter um sorriso mais branco e por aí vai.

A síndrome da distorção da autoimagem é muito séria, pois é uma doença somatoforme. Isso quer dizer que o paciente apresenta queixas e sintomas, porém os médicos não conseguem encontrar nada nos exames.

distorção-autoimagemHá relatos que 9% das pessoas que buscam cirurgias plásticas ou outros tratamentos estéticos possuem algum grau dessa síndrome. Muitas vezes o próprio cirurgião plástico encaminha o paciente para terapia.

E o problema vai mais além, a busca desenfreada pelo corpo perfeito pode levar a pessoa a gastar rios de dinheiro com tratamentos estéticos, fazer regimes exagerados, malhar até a exaustão, parar de comer, etc.

Os sinais mais comuns da síndrome da distorção da autoimagem:

  • Insatisfação com o próprio corpo, com queixas e comentários constantes. A própria pessoa aponta o que não gosta no corpo, não se conformando quando terceiros dizem que “não é bem assim”. Alguns pacientes chegam a afirmar que odeio o próprio corpo.
  • Negação da condição corporal (magro, gordo, musculoso, bonito, etc.). As pessoas que sofrem desse mal também não costumam lidar bem, ou até mesmo, aceitar elogios.
  • Uso de remédios para emagrecer, diuréticos e laxantes. Essas práticas podem evoluir para problemas mais sérios como desnutrição, bulimia e anorexia.
  • Esconder o corpo com roupas mais largas ou várias camadas de roupas. Evitar situações que precisa mostrar o corpo, como idas à praia ou a piscina.
  • Baixa autoestima, tristeza profunda, isolamento e até depressão. O indivíduo perde o interesse pelas atividades que mais gosta, como sair com os amigos, praticar esportes, entre outras coisas.
  • Comparação frequente com outras pessoas, outros corpos são sempre mais bonitos, mais perfeitos, mais sarados e por aí vai.
  • Obsessão por se olhar no espelho, como se estivesse sempre conferindo o que está vendo.

 

Os transtornos alimentares e a autoimagem

anorexia-bulimia

Apesar de não serem exclusividades do mundo moderno, a anorexia (descrita na Idade Média) e a bulimia (existente desde a Antiguidade), têm sido cada mais estudadas a fim de se descobrir os fatores de risco que desencadeiam esses transtornos alimentares.

São diversos os fatores de risco que interagem entre si: pressão social, distúrbios psiquiátricos (ansiedade, depressão e transtorno obsessivo-compulsivo), desequilíbrios hormonais, baixa autoestima, perfeccionismo extremo, etc.

Porém, segundo um artigo publicado na Revista Psicologia: Teoria e Prática, a preocupação com o corpo é o ponto central entre eles, resultante, na maior parte das vezes, de insatisfação com o peso e a forma física.

Conforme outra pesquisa, publicada na Revista Brasileira de Psiquiatria, os transtornos alimentares afetam muito mais adolescentes e jovens adultos do sexo feminino. Essas doenças podem levar a enormes prejuízos biológicos e psicológicos, aumentando também a morbidade e mortalidade dessa faixa etária.

Abaixo vamos abordar um pouco sobre os principais transtornos alimentares, anorexia e bulimia.

A Anorexia

A anorexia (ou anorexia nervosa) é um transtorno no comportamento alimentar que envolve a distorção da autoimagem corporal. Sua principal característica é o medo mórbido de engordar, levando a uma restrição alimentar bastante extremista por parte dos pacientes.

Não bastasse viver com o mínimo de alimentos possível, os que sofrem com anorexia praticam exercícios físicos até a exaustão, provocam episódios de vômito e podem, inclusive, tomar laxantes para emagrecer.

E por ter um fundo psicológico, uma vez que a doença está instalada, o sistema hormonal entra em crise. Os hormônios que controlam o apetite, como a melanocortina, deixam a pessoa constantemente sem fome.

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Os resultados disso na saúde são os piores possíveis, com baixas no sistema imunológico, enfraquecimento, perda óssea e muscular, interrupção da menstruação, redução da libido, arritmia cardíaca e convulsões. A taxa de mortalidade chega a 15% dos casos.

A Bulimia

A bulimia (igualmente conhecida como bulimia nervosa) é outro dos transtornos alimentares associados à síndrome da distorça da autoimagem.

Sua principal característica são episódios de enorme compulsão alimentar seguidos de arrependimento e compensação, muitas vezes com provocação de vômito. Somando-se a isso, os dados em relação à bulimia são extremamente preocupantes, afetando cerca de 2 milhões de brasileiros por ano.

E no caso da bulimia a coisa toda é mais complicada, pois além de se preocupar com o peso e com o corpo, o paciente também é afetado pela compulsão alimentar. Ou seja, a pessoa come até não poder mais e, quando não compensa provocando o vômito, toma laxantes ou remédios para emagrecer. Este é um ciclo muito perigoso.

Esses indivíduos sentem constantemente culpa por comer, arrependimento e desânimo. A depressão é outra das preocupações relacionadas a essa doença.

Desconfia que algum amigo ou parente possa estar passando por isso? Quer saber quais são os principais sinais? Veja abaixo:

  • Mudanças de peso frequentes (tanto perda quanto ganho);
  • Danos físicos por causa de vômitos diários, entre eles inchaço nas bochechas ou mandíbulas, calos nas juntas, problemas dentários e mau hálito;
  • Constipações intestinais;
  • Inchaço;
  • Intolerância a certos alimentos;
  • Interrupção do ciclo menstrual;
  • Desmaio e tonturas;
  • Sensação constante de fraqueza, fadiga muscular;
  • Alterações no sono, como dificuldade para dormir, agitação, etc;
  • Hemorroidas.

Os sinais psicológicos são bem parecidos com a anorexia nervosa: baixa autoestima, com auto aversão e distorção da autoimagem, preocupação exagerada com a aparência física, obsessão com alimentação (controlar as calorias), ansiedade, irritabilidade, insatisfação, etc.

 

Existe tratamento para síndrome da distorção da autoimagem?

tratamento-d-autoimagemExistem SIM tratamentos psicológicos viáveis, que ensinaram o individuo a conviver bem com o próprio corpo. Porém, não existe uma cura definitiva para a síndrome da distorção da autoimagem.

Uma vez que a pessoa é diagnosticada com esta doença e procura ajuda, o trabalho é de formiguinha, um passo de cada vez, um dia após o outro.

E isso vale também para os transtornos alimentares citados (anorexia e bulimia), em que o acompanhamento psicológico é indispensável. O maior desafio no tratamento dessas doenças é o reconhecimento pelo próprio paciente. Assim como no alcoolismo, a pessoa tem que reconhecer que está doente e precisa de ajuda.

Entre os passos do tratamento da distorção da autoimagem, anorexia e bulimia existem alguns pontos em comum: aumentar o convívio social, utilizar programas de alimentação (reeducação alimentar, para os que estão abaixo do peso) e diminuir as atividades físicas.

Porém, no que concerne a anorexia e a bulimia diversos exames para avaliar o estado de saúde física do paciente devem ser feitos, com casos de internação para recuperação no hospital, com uso de medicações, etc.

A família é um dos pontos chaves do tratamento. O apoio familiar é primordial para que a pessoa se sinta amada como ela é. Além disso, a família pode observar se o paciente não voltará a apresentar nenhum dos sintomas acima descritos.

E, é exatamente por isso, que atualmente a questão do bullying tem sido levada tão a sério. Como já foi dito, por estarem em formação, as crianças e os adolescentes são muito frágeis, eles têm a necessidade de se sentirem incluídos socialmente.

Observe as crianças/adolescentes ao seu redor!

Acompanhe de perto o desenvolvimento de seu filho(a), irmão(ã) mais novo (algum amigo)… Observe se ele apresenta alguns dos sintomas aqui descritos, se ele tem amigos na escola ou se anda triste.

Se alguma dessas suspeitas for positiva, a melhor coisa a ser feita é procurar um especialista. Somente o especialista poderá te dizer a melhor forma de abordagem.

Lembre-se quando falamos em distorção da autoimagem o melhor tratamento é o afeto e a compreensão.

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